sexta-feira, 12 de julho de 2013

As atualizações desse Blog foi transferido

Olá
As atualizações desse Blog foi transferido para o Blog da Associação Araponguense de Nihon Karate Kyokai AANKK

www.associacaoaraponguensedekarate.blogspot.com.br




quarta-feira, 27 de março de 2013

XIV Campeonato Brasileiro de Karate-Do Shotokan JKA 2013 Curso Técnico com Mestres e Atletas da Seleção Brasileira JKA


Maiores informações veja no site Oficial da JKA Brasil

Agenda da Associação Londrinense de Karate


29,30, 31/03/2013- Passeio da Terceira Idade para Palmas do Arvoredo-SC e Guaratuba.
28/04/2013- Treino Especial com Alunos da região e comemoração dos aniversariantes do mês de abril.
01/05/2013- Visita de intercambio para Paraíso do Norte e Treino especial.
26/05/2013- Treino e reunião com os membros da diretoria da Associação.
30/06/2013- 169º Exame de faixa.
Viagem de intercambio para Sertanopolis- data a confirmar.

Associação Londrinense de Nihon Karate Kyokai

JKA ou NKK - Japan Karate Association ou Nihon Karate Kyokai


KARATE KID Lyoto Machida, paraense que já foi campeão do UFC

Como um nissei de Belém do Pará com um corpo aparentemente normal derrota verdadeiras máquinas de luta e se torna campeão mundial invicto de vale-tudo? Na entrevista a seguir, Lyoto Machida oferece algumas respostas: um investimento tão forte na parte mental quanto na física, algo raro nesse universo, e um mergulho na essência do caratê, transmitida por seu pai Yoshizo. Parece que está dando certo: 16 vitórias em 16 lutas e o cinturão do UFC dos meios-pesados. “Não quero ser mais um campeão”, Lyoto avisa. É a volta do caratê às manchetes. É a era dos Machida no vale-tudo



Yoshizo Machida passa o dedo na lombada dos livros enfileirados na prateleira. Todos são escritos em japonês. Um ou outro em chinês. “Esse, coisa de espírito...; esse, kung fu zen...; esse, arte marcial com ginástica...; esse, pontos vitais de acupuntura.” Por mais que Yoshizo viva no Brasil há 42 anos, as sílabas seguem carregadas de sotaque oriental. “Esse, como você se prepara para ser kamikaze no tempo de guerra...; esse, diálogo de cavalo com o homem...; esse, kendo, como ataca, recua, defende...; esse, aikido...; esse, coisa de judô, como começou, a história do judô.” Yoshizo, sem camisa, faz pausa para limpar o suor da testa. Belém é um forno. Neste fim de tarde de novembro – talvez por não ter chovido tudo o que se espera diariamente da capital paraense –, o bafo quente abraça ainda mais. Yoshizo muda de estante e apresenta as obras prediletas. “Esses, livros raros, raros, quase não tem. Samurai que escreveu, e jornalista colocou em idioma atual. Filosofia samurai. Como você vai fazer seu vida correto. Como você comia comida em tempo de samurai. Carne, pouquinho... verduro, como mastigava.” Entre as lombadas, um quadro de vidro conserva foto de Yoshizo jovem, de quimono branco. “Nesse tempo, eu era muito forte, muito rápido, relâmpago, né... 62, 65 kg, hoje, 83 [risos]... No Japão, eu brigava contra gente de faca, defendia amigo que não era lutador. Nunca usei faca, só caratê mesmo. Por isso treinei muito.” A viagem ao passado é breve. Ele logo retoma os livros de outra parte da estante. “Não tenho professor desde 22 anos [idade em que chegou ao Brasil]. Professor de eu são os livros. Muitos anos lendo. Esse, ioga, como respira... Esse, filosofia de Buda, como é a vida, o mundo, tudo. Esse, Allan Kardec, não é muito diferente... Acredito em Deus, mas não tenho religião. Religião é o caratê.”

Cada palavra, cada livro, cada lembrança de Yoshizo é fundamental para compreender o estilo de luta (e de vida) de seu filho caçula, Lyoto Machida, ou Lyoto “The Dragon” Machida, 31 anos, 96 kg e 1,85 m. Trata-se do principal lutador brasileiro de vale-tudo do momento, campeão da disputadíssima categoria meio-pesado (até 93 kg) do UFC (Ultimate Fighting Championship). “Meu pai é o grande mestre. Não sou um lutador que usa a força pela força. Meus diferenciais são o espírito, a meditação. Minha preocupação é desenvolver a intuição.” Lyoto não sabe o que é perder desde que subiu pela primeira vez ao ringue, contra o japonês Kengo Watanabe, no dia 2 de maio de 2003. A invencibilidade já dura seis anos e 16 combates.

O cobiçado cinturão do UFC foi conquistado dia 23 de maio de 2009, após nocautear o norte-americanoRashad Evans. “O caratê está de volta!”, berrou Lyoto ao sagrar-se campeão no MGM Grand Arena, em Las Vegas. A vitória veio depois de um violento direto de direita, seguido de um cruzado de esquerda. O rapaz tem uma pancada animal com os dois braços. “Quando Lyoto fez 11 anos, falou que queria ser campeão do mundo”, recorda o pai. “Na época, ele só escrevia com a mão direita. ‘Quer ser campeão?’, eu disse. Então, usa a mão esquerda. Dois mãos, usar igual. Desenvolve cérebro, equilíbrio. Não sou eu que digo. É cientista”, ensina Yoshizo.
Imagem: Arquivo pessoal
O patriarca sentado ao lado de um aluno da Apam (Associação Paraense de Artes Marciais) e escoltado pelos três filhos em pé
O patriarca sentado ao lado de um aluno da Apam (Associação Paraense de Artes Marciais) e escoltado pelos três filhos em pé
O duelo em que o paraense (de fato, ele nasceu em Salvador, mas com 3 meses já estava em Belém) foi mais castigado aconteceu em seu último compromisso, no dia 24 de outubro (UFC 104), sua primeira defesa de título, contra o curitibanoMaurício Shogun Rua. Lyoto venceu por decisão unânime dos três juízes, mas foi vaiado pelo público. “Vitória é vitória”, decreta. “Achei as vaias normais, pois se espera sempre demais de um campeão. Eu vinha de duas performances muito boas [nocautes contra Rashad e Thiago Silva], mas nem sempre isso é possível”, afirma. “Estou pronto para qualquer desafio. Shogun mudou o jogo dele para me enfrentar, mas sou eu que serei uma surpresa na próxima luta.” A revanche, aliás, já foi marcada para 1º de maio de 2010, em Montreal, Canadá.

Casado com Fabyola, pai de Tayo (de 1 ano e 4 meses), Lyoto vive longe da badalação norte-americana em torno do UFC e prefere não treinar nas principais academias do Rio de Janeiro e de São Paulo. “Gosto dos Estados Unidos, mas Belém é a minha cidade. Aqui, encontro tudo o que preciso. É um conjunto que faz a diferença, não adianta apenas treinar. Para mim, o lado afetivo, o psicológico e o familiar são essenciais.” A relação com a capital paraense também está no detalhe de ela se localizar em plena selva. “Existe todo um mistério em viver aqui na Amazônia. Faço questão de treinar perto do rio, ou em alguma praia, ou numa fazenda distante daqui. É uma ligação com a natureza muito forte.” Dois meses antes de uma luta, Lyoto intensifica a meditação em locais silenciosos. Encerra a meditação com uma prece de agradecimento. “Procuro me basear um pouco na história dos samurais, na forma como agiam.” O cuidado extremo com a parte, digamos, intelectual da luta explica o estilo observador de Lyoto no ringue. “Lá em cima, são duas pessoas fazendo a mesma coisa. O que importa é o pensamento ser diferente.”

Trip passou um sábado com os Machida, dia em que a família se reúne para almoçar ao redor do sábio patriarca – que adora caranguejo. Acompanhe os principais trechos da entrevista com Lyoto, mas, antes, até por questão de respeito, veja um pouco mais o que o mestre Yoshizo tem a dizer.
“O estilo de Lyoto é a defesa. Deixa primeiro atacar. Depois contra-ataca. Desde criança é assim. Observa...”, conta o pai

1º round: Yoshizo Machida

Quais são os três pontos mais importantes em uma luta?
O primeiro é o bista [vista]. Você vai olhar a distância meu e distância dele, tem que observar tudo. Você tem que olhar física dele, distância dele, tem que olhar antes. O que ele está pensando. Estratégia dele, né, sentir. Olhar, sente.

Por isso Lyoto é observador no ringue e não vai logo para a porrada?
Isso. Com o bista você observa o ritmo dele, e já consegue entender o que o outro faz. O bista é exatamente sentir aquele ritmo e conseguir quebrar esse ritmo. Primeiro, é bista... Para ver distância, tudo. Depois, é base. Distância certa não toma, né?

Então, primeiro, vista; segundo, base.
Em cima da base, tem a cintura. Usa a cintura, cintura vira... Cintura vai avançar, cintura recua, cintura direita, esquerda... [Yoshizo mostra movimentos de caratê, vestindo um quimono japonês cinza.]

A cintura funciona como base de ataque?
Ataque, defesa, tudo. Cintura com o tronco. Não sou eu que falo isso. Tudo os lutadores, mestres. Muita gente esquece isso. Diz “velocidade, força”. Mas japonês fala mikiri, se você tá com faca, espada. Não pode defender com braço.

Mikiri é o ato de sair e não se deixar encostar?
Isso. Significa golpe de bista. Caratê tem muito isso, dentro do fundamento, mas, às vezes, não usa porque é só fundamento, né?

O ponto forte da luta de Lyoto está na cabeça?
O estilo do Lyoto é a defesa, o contra-ataque. Deixa primeiro atacar. Depois contra-ataca. Desde criança é assim. Observa…


Imagem: Arquivo pessoal
Reflexo do pai: Lyoto experimenta a faixa preta de Yoshizo
Reflexo do pai: Lyoto experimenta a faixa preta de Yoshizo
O senhor que ensinou esse estilo?
É dele mesmo, né? O outro irmão dele ataca. O Chinzo [de 32 anos, filho do meio, dos três naturais de Yoshizo com a baiana Ana]. Pouca pessoa que contra-ataca. Lutador de caratê, né? Quando luta esse MMA [Mixed Martial Arts], observa primeiro. Não é pra adversário bater, bater. Aí, fica garantido, se não tem chance, ele não entra.

O senhor não acha que o estilo de luta de Lyoto pode estar começando uma nova fase no MMA?
Eu acho que é. Tem bastante lutador bom que usa, mas poucos brasileiros. Um deles é o Anderson Silva [lutador paranaense de 34 anos], ele usa. Ele usa tudo. Usa bista, usa base, na hora de bater, usa cintura.

Por que o senhor acha que antes de o Lyoto chegar ao MMA o caratê estava tão esquecido?
Porque tira muito o lado do esporte. Porque tira ponto. Não pode bater, então pensam que o caratê é isso, né? No MMA, o cara segura, você derruba. O caratê também tem isso.

O filho do senhor está resgatando a essência do caratê?
Ele quer lutar. E, quanto mais estuda, quer ir mais fundo no antigo caratê. Por exemplo, o caratê meu, para derrubar, não precisa usar a mão. Só da posição que você ataca, o cara já cai para o outro lado.

Nas lutas de Lyoto, como o senhor se comporta perto do ringue?
Eu fico atrás dele, como corner, mas só observando. Se tem uma coisa, um detalhe assim, aí eu toca. Eu não falo direto com ele. Porque às vezes muita gente fala e atrapalha, né?

O senhor não fala nada na hora?
Não fala nada. Eu mando comando, fico olhando e observando... Antes que acontece isso, eu avisa [passa rápidas coordenadas para Chinzo, filho que fica no corner e única pessoa a falar direto com Lyoto durante o combate].

O senhor avisa antes o que vai acontecer?
Eu avisa antes porque sente, né?

O senhor sente os golpes que o adversário está planejando?
Sente. O cara é rápido, mas ele pensa, tipo assim, ainda mais para pessoa nova, porque eles pensam: “Ah, eu vou bater aqui...”. E eu já vejo isso antes.

O senhor saiu do Japão e chegou ao Brasil com 22 anos formado em engenharia civil. Por que veio para cá?
Eu realmente formou em engenharia, mas antes disso queria ser professor de caratê. Mas meu pai e minha mãe proibiam isso. Então, quebrou o meu sonho... Aí, pedi para o meu pai me dar uns cinco anos... Depois de cinco anos eu volta para o Japão e continuo... Ele deixou, mas depois de cinco anos eu não voltei [risos]. Eu queria experimentar meu vida. Viagem de navio de 45 dias. Quando cheguei, ninguém conhece no Brasil. Nem português eu falava. Eu testava se realmente dava ou não, né? Um colega meu e muita gente foi embora pra Japão, mas eu não voltei. São 42 anos aqui. No começo, trabalhei com engenharia, governo japonês, trabalhava na mata, sem luz, sem nada. Aí, fazia construção de estrada, ponte, loteamento de fazenda. Depois saiu, cortar madeira. Depois, cortar mato, plantar pimenta-do-reino, seringa, essas coisas que a colônia plantava. Aí, saiu e comecei a lutar caratê, um ano em São Paulo, depois Salvador, três anos, depois pro Pará. Lyoto nasceu em Salvador. Chegou aqui com 3 meses. Depois, fiz a Apam [Associação Paraense de Artes Marciais].

Por que escolheu o Pará para viver?
Muita gente pergunta por que eu gosto desse Amazônia e rio, o rio Amazonas, que é um dos maiores, né? Eu acho que o tesouro está aqui no Brasil. Qualquer coisa que planta dá para crescer mais fácil. Tem terreno realmente grande. Trabalhava na fazenda aqui, plantava cacau, mamão. Ia vivendo disso. Gosto muito daqui do Amazonas.

Quais são as preocupações que o senhor tem com a alimentação?
Eu como normal hoje. Eu como muito mais peixe. Carne, só uma vez por semana. Agora, verdura e peixe, muito mais.

Qual verdura?
De tudo, né? Repolho, cenoura, alface...

Que horas o senhor acorda e dorme?
A maior parte do tempo, eu acordo cinco da manhã, e dorme mais ou menos 10h30, 11h. Relaxando para ler um livro ou assistindo um pouco de televisão. Durmo mais ou menos durante seis horas. Depois do almoço, descansa um pouquinho também. Porque aqui é muito quente, então, tem que descansar um pouquinho, senão, até de noite, não aguenta.

Há quanto tempo o senhor não volta para o Japão?
Eu praticamente agora de dois, três anos, uma vez eu vai, porque já está melhorando a situação. Antigamente, era dez anos, 20 anos. Hoje, não. Porque eu estou dirigindo coisas de caratê para o Brasil. Sempre dou curso.

O senhor viajou muito para lutar?
Sim. Em confederação, com seleção também. Em muitos países, eu passava. Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Polônia, Espanha.

Na Polônia tem mulheres bonitas...
Bonitas, mas um pouco frias. Quem é mais quente mesmo são as brasileiras.

Yoshizo e Lyoto no quintal da casa do pai sob a placa Shin Sato (nome dos avôs do lutador, que batizaram um sítio que Yoshizo teve no Pará)
Yoshizo e Lyoto no quintal da casa do pai sob a placa Shin Sato (nome dos avôs do lutador, que batizaram um sítio que Yoshizo teve no Pará)

Por isso o senhor casou logo com Ana, uma baiana... (Na infância, Ana tinha o hábito de recortar de revistas crianças de ascendência oriental. Ela conta como foi que conheceu Yoshizo)

ANA Ele foi convidado por um professor de Salvador a dar aula numa academia. Daí, teve uma festa de caratecas e eu fui. Yoshizo ficou me olhando. Antigamente, tinha que tirar para dançar. Não chegamos nem a ser amigos. Ele chegou para mim e disse que eu seria a sua namorada. Fiquei espantada porque eu nem conhecia aquele japonês. Namoramos dois anos e casamos em maio de 74, em Salvador.

Como a senhora reage quando Lyoto vai lutar?
ANA Eu nunca vi uma luta do meu filho. Se fosse para o ginásio assistir, seria para jogar a toalha e acabar com a luta.

Além de caratê, o que o senhor gosta de fazer hoje?
Eu gosto de cavalo que pula. Tenho a cela de adestramento [começa a mostrar fotos de adestramento]. Tenho um cavalo andaluz. Fiquei treinando ele quatro anos.

Longe de Yoshizo, Lyoto sempre se refere com total respeito ao pai e aos ensinamentos por ele passados. Acompanhe agora trechos da entrevista com o campeão da categoria meio-pesado do UFC.

2º round: Lyoto Machida


Imagem: Divulgação
No UFC 104, em outubro passado, contra Shogun, a primeira (e polêmica) defesa do cinturão
No UFC 104, em outubro passado, contra Shogun, a primeira (e polêmica) defesa do cinturão

Você e seus irmãos apanhavam do pai?

A gente apanhou muito do meu pai. A cultura japonesa era isso. Ele trouxe isso.

Apanhava onde?
Na bunda. Às vezes, no rosto. Com a chinela, ele dava no rosto. Cinto. Mas, cada vez que ele batia, era amor que ele queria botar. Então, hoje ninguém tá revoltado, pelo contrário.

Agora você tem o Tayo, seu filho de 1 ano e 4 meses. Pretende aplicar esse tipo de educação?
Acho que muita coisa mudou. Meu pai não tinha uma relação de muito diálogo com a gente. E eu com meu filho não. Tenho como introduzir um caminho de diálogo.

Você conhece a sua esposa, Fabyola, desde os 15 anos...
Ela acompanhou toda a minha trajetória. Desde os sonhos até alcançar uma etapa do objetivo, que foi o cinturão [do UFC]. Eu quero muito mais do que isso.
“Apanhava na bunda. Com chinela, ele dava no rosto. Mas, cada vez que batia, era amor que queria botar”, diz lyoto sobre o pai
O que você quer?
Quero me tornar o campeão... Não mais um campeão. Quero fazer várias defesas de cinturão. Encarar outros desafios que possam me colocar realmente à prova. São questões pessoais. Quero servir de exemplo também. Não só para o meu filho, mas para a juventude, que ela possa entender que não é porque você luta que é um cara do mal. É um esporte agressivo, mas você traz a paz com essa agressividade. Você mostra agressividade dentro do ringue, mas fora você é um cara cortês, que sabe se comportar, que sabe servir. Esse é o verdadeiro lema do samurai. O samurai é um cara educado, trabalhava para o senhor, servia.

Você brigava muito quando era menor?
Brigava no colégio, só na mão, no instinto mesmo do homem. Coisa de garoto.

Seu pai incentivava?
Não… Meu pai dizia que você não pode nunca começar a briga, nunca bater no mais fraco. Sempre procurar o mais forte, então. Ele sempre ensinou assim: “Meu filho, você não pode ser covarde”.

Você e seus irmãos aprontavam muito? Recebiam castigos?
A gente aprendeu a passar trote por telefone. Um dia, aproveitando que meu pai e minha mãe tinham saído para jantar, a gente começou a ligar para umas pessoas e dar risada. Quando meu pai chegou, um dos meus irmãos falou o que fizemos... Aí ele disse que brincadeira tem limite, que a gente não pode fazer isso com a família dos outros e mandou a gente dormir na rua. Foi um choque aquilo. Pegamos lençol, travesseiro e saímos chorando, com medo. A gente foi procurar lugar pra dormir. Vimos um monte de mendigo dormindo... Voltamos pra frente da academia, tinha um jardinzinho na época. Frio pra caramba, botamos o lençol na grama e dormimos. Quando foi três da manhã, minha mãe acordou, jogou uma chave pra gente, e no outro dia fomos pedir desculpa pra ele.

Perguntei isso para o seu pai também, mas, em sua opinião, por que o caratê estava tão desacreditado no MMA?
O caratê, assim como outras artes marciais, foi criado para a guerra. Só que com a evolução, com o passar do tempo, a coisa se tornou esportiva, assim como o judô. E, com essa coisa de se tornar esportivo, criaram-se muitas regras: não pode dar cotovelada, não pode dar joelhada porque machuca o cara. Isso começou a tornar o esporte olímpico, mas pouco marcial. Essas coisas todas enfraqueceram a luta e ninguém mais treinava caratê em sua plenitude. A família Gracie bate em cima da finalização. A gente está preocupado com a essência da luta.

No seu estilo de luta, qual a porcentagem de caratê e de outras artes?
O MMA se define como uma mistura realmente. Acho que 70% do meu estilo é caratê; 30% eu uso o restante, que é o jiu-jítsu, não desmerecendo as outras artes, sei da importância delas. Caso eu caia no chão, vou ter que usar 80% de jiu-jítsu.

O que você precisa melhorar em sua técnica?
Talvez um jogo na curta distância, tipo boxe, tenho que mesclar um pouquinho mais de boxe. Preciso melhorar um pouco mais da arte de queda também. Acho importante pois enfrentamos lutadores muito fortes fisicamente, caras que vêm do wrestling. Então, para continuar sendo campeão, preciso dessas artes que me dão suporte para que eu use mais tranquilamente o meu caratê. Sem medo de cair no chão, de ser agarrado.


De quimono cinza japonês, Yoshizo cercado pelos filhos, Takeriko, Chinzo e Lyoto, no jardim com lago para carpas. Na janela, a baiana Ana, mãe de Lyoto
De quimono cinza japonês, Yoshizo cercado pelos filhos, Takeriko, Chinzo e Lyoto, no jardim com lago para carpas. Na janela, a baiana Ana, mãe de Lyoto
Na luta, você costuma colocar certa distância do oponente, e o público não gosta, às vezes vaia… Você não sente certa pressão para mudar seu estilo?
Acho que não… A partir do momento que meu golpe é conectado as pessoas passam a entender melhor meu estilo, que é realmente rápido. Às vezes não dá pra ver o golpe, então o público precisa de uma coisa mais concreta. Sempre acreditei muito no tempo e na distância da luta. Se tenho 1 t de força na minha mão, mas se eu parar um palmo antes, não adianta nada. E, se eu bater curto, não vai ser 1 t. A distância é superimportante. Não vou para fogo cruzado. Espero o momento certo pra atirar, pra não desperdiçar o golpe. Eu fui considerado recentemente o lutador menos atingido: a cada três rounds, tomo um soco, enquanto outros lutadores vão para o fogo cruzado. Isso aí é uma loteria, qualquer um dos dois pode cair.

Por isso que a meditação é parte fundamental de seu treino...
A meditação ensina a paciência – e o caratê ensina o tempo de luta e a hora de atacar.

Você conhece outros lutadores que estão investindo na meditação?
Difícil falar... Pode até ter quem faça isso, mas desconheço. Talvez nem 5% dos atletas se preocupem com esse lado. A maioria acha que o importante é só o físico. Importante é existir um equilíbrio entre o que chamam no Japão de shin, gi e tai. O shin é o seu espírito, a força interior. O gi é sua técnica e o tai, o físico. Pra você alcançar o sucesso, essas três coisas têm que estar conectadas.

O seu estilo está iniciando uma nova era no UFC?
As pessoas ficam dizendo “a era Machida começou”, mas não é assim, porque a gente quer mostrar o verdadeiro caminho da arte marcial. O MMA começou visando muito a briga de rua, visando essa filosofia, esqueceu um pouco a origem da luta, que vem dessa doutrina, que engloba mais que a força e a técnica, um outro lado que ninguém vê.

Outros atletas devem começar a perceber que é importante prestar mais atenção nesse lado...
E o próprio público que assiste também. O público que gostava muito do MMA era o público bad boy, que gostava de confusão e tal. E hoje isso tem mudado muito. Por exemplo, o Ivo Pitanguy [cirurgião plástico] deu uma declaração de que gosta muito do meu estilo. Você pode notar que existe uma mudança no público. Hoje tem criança que assiste.
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação
Em 23 de maio de 2009, em Las Vegas, quando o americano Rashad Evans desabou na lona e deixou o título com o paraense





Fonte: Revista Trip

quarta-feira, 13 de março de 2013

sexta-feira, 1 de março de 2013

Onde fica o Vazio?




Pergunta – Levando isso em consideração, seria a morte uma libertação?

Monge Genshô – Nem uma libertação nem uma não libertação. A morte é tão somente um evento inerente a vida, tudo que nasce morre.

Pergunta – Então o que sobra após a morte é...

Monge Genshô – O que sobra o que? Do que? O que sobra do redemoinho quando cessam as energias que o colocaram em movimento? Onde está o eixo do redemoinho quando ele para? Esta em toda a parte na atmosfera. Está tudo na atmosfera, nada foi embora, tudo está no mesmo lugar, somente o movimento daquele momento que cessou. Mas a atmosfera está ali livre para produzir novos redemoinhos.

Pergunta - No sutras se fala que forma é vazio e vazio é forma. Eu entendo como forma todas as manifestações que teriam como origem e destino o vazio...

Monge Genshô – Não, não existe destinação no vazio. Todos os seres e todas as coisas, tudo, tem uma forma, mas nem um deles tem um “eu” inerente, todos são interdependentes, interligados e interconectados. Isto é a vacuidade. A vacuidade não é uma coisa, não é um algo, não é um substrato que sustenta o universo e tão pouco um Deus. Quer continuar a pergunta?

Pergunta – Agora complicou um pouco...Mas por exemplo, prosseguindo minha linha de raciocínio, o cabide de madeira, a destinação dele é a extinção do “ser” cabide, pois a madeira irá se extinguir através de fogo ou cupim. Minha pergunta é, esse vazio seria um estado de não-ser...

Monge Genshô – O vazio não é um estado de não-ser. O vazio é o fato de que todas as coisas tem a mesma característica ou qualidade de serem interligadas e interdependentes, e nenhuma delas ter um “eu” em si mesmas, ou seja, inerente. Assim como o redemoinho é um movimento do vento e não existe por si mesmo, nós não existimos por nós mesmos, somos um movimento da vida, cada um de nós é como uma onda ou pé de vento. Somos um movimento no vazio. Vazio de que? De um “eu”. Se você tirar a forma não existe vazio, porquê o vazio se manifesta como forma. Imagine o mar com suas ondas e você passar uma lâmina e tirar todas as ondas de cima do mar, o que sobra? A água, certo? Mas se no momento seguinte você olhar novamente o que surgirá? Novas ondas. Porque o mar só se manifesta desta forma, com ondas. A vacuidade só se manifesta como forma. Você não pode tirar a forma e então restar a vacuidade.

Pergunta – E onde fica o vazio?

Monge Genhô – O vazio não fica. Ele é todas as formas. Onde fica o mar? Não é onde ficam as ondas? Dá para separar as ondas do mar? Quanto mais ondas você tirar mais ondas surgirão.

Postado por Monge Genshô - O PICO DA MONTANHA É ONDE ESTÃO OS MEUS PÉS

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

A xícara existe por si mesma?




Xícaras com arte de Claudio Miklos (Monge Kômyô) Disponíveis em www.daissen.org.br


A nossa maior dificuldade é perceber que nosso eu é construído completamente, nossas infelicidades são construídas por nossos pensamentos. Sobre o passado por arrependimento e por memórias, ou sobre o futuro por imaginações, expectativas e ambições. Nós construímos um eu e suas infelicidades e angústias com esses pensamentos. Se conseguirmos jogar fora todos eles e sentarmos aqui e esquecermos, penetraremos na dimensão suprema. A dimensão suprema mostra que todas as coisas surgem dela e nenhuma tem um eu ou uma existência própria. Tudo que julgamos como um eu ou existência própria é atribuído, não é verdadeiro.


Essa xícara foi construída com barro, forma e cozida num forno. Tornou-se uma xícara. Nós olhamos para ela e a chamamos de xícara. Ela funciona no mundo e contem chá. Mas a xícara ela existe por si mesma? Não. Para que ela seja uma xícara é necessário que haja barro, oleiro, forno, esmalte e mais do que isso é necessário um ser que olhe para ela, veja sua utilidade e diga “xícara”. Esse que olha para ela enxerga sua utilidade de conter o chá, que a chama de xícara é quem faz com que ela tenha uma identidade.


Nós, de forma muito mais complexa, também somos assim. Surgimos da dimensão suprema e como manifestações da dimensão suprema. Então nos manifestamos nesse mundo de forma histórica e temporária. Voltando a analogia da onda e do vento. Estes fenômenos surgem no ar ou na água e não existem por si mesmos, são manifestações. Nós que acreditamos em nós mesmos, na nossa consciência e em nosso eu, somos manifestações dessa consolidação de pensamentos, confundimos o fluxo dos nossos pensamentos como uma identidade separada. Confundimos esse fluxo com um eu. A xícara parece um ser separado e existente por si mesmo, dizemos xícara e somos capazes de nos entristecer se ela cair no chão e quebrar. Se for antiga e tiver pertencido a nossa avó e tivermos atribuído a ela um determinado significado, ficaremos entristecidos ao vê-la quebrar. Mas onde existe a xícara? Só na nossa memória e mente ela pertenceu a nossa avó. Só no nosso aprendizado do que é uma xícara ela tornou-se uma xícara. Só por a concebermos como receptáculo é que ela é uma xícara. Para um ser primitivo que jamais viu uma xícara ela não seria nada. Se eu der a xícara para minha cadela, ela pensará que é um brinquedo, morderá, e se conseguir quebrá-la, pegará seus cacos e espalhará pelo jardim, porque para ela uma xícara não é uma xícara. A xícara só existe na mente de quem a entende como receptáculo, e olha para ela e a transforma com sua percepção e mente. É fácil entendermos isso sobre a xícara, mas difícil entendermos isso sobre os outros seres.


Postado por Monge Genshô- O Pico da Montanha é onde estão os meus pés.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

CURSO INTERNACIONAL - MESTRES KIICHI HIRAICHI O E Y. SASAKI - 7º DAN JKA JAPÃO




23 de agosto de 2013

Organização: Associação Londrinense de Nihon Karate Kyokai

Em breve informações complementares de horário e local

domingo, 10 de fevereiro de 2013

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Curso e Exame de Dan JKA em SP Fev 2013

JKA - Japan Karate Association




















Machida e Tanaka


quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

GALERIA FOTOS PESSOAL DE CORNELIO E MESTRE NORIO HARITANI





Treino e Confraternização de Janeiro

Gashuku de Carnaval

Gashuku de Carnaval





window.___gcfg = {'lang': 'pt_BR'};
OSS

Seja Bem Vindo !!

Este Blog é dedicado a todos praticantes ou amantes das Artes Marciais desde iniciantes até os mais graduados.

Dedico aos meus Amigos de Treino.

Seu conteúdo pode servir de ajuda para o dia a dia, tirar dúvidas, auto aprendizagem e consultas sobre Artes Marciais diversas.

Não responsabilizamos por praticas sem responsabilidade e sem acompanhamento de um profissional na área e nos limitamos somente em veicular assuntos sobre Artes Marciais.

Para a correta prática, um profissional deve ser procurado.



Na área de Videos fiz alguns videos com várias sequências para Shiai Kumite competição, Kata, e outros combinados de outras artes que fui treinando, desenvolvendo, adaptando outras artes como kung fu e criando outras observando e estudando o Karate e vários videos de diversos atletas do passado e da atualidade.

Esses mix eu reuni nos video para colaborar com todos meus amigos de treino.

Sou muito grato a todos os meus Senseis que muito colaboraram para meu conhecimento e técnica.



Arte Marcial é :

- Um Modo de Vida

- Qualidade de Vida

- Disciplina

- Combate ao Stress

- Terapia

- Defesa Pessoal

- Realização Pessoal

- Respeito ao Próximo

- Esporte


Você terá acesso à vários conteúdos e sempre Atualizados :

- Download de musicas sobre Artes Marciais - veja em Links (acima)
- Links sobre Artes Marciais sobre diversos temas
- Vídeos sobre Artes Marciais
- Eventos


Podem comentar a vontade sobre o Blog e peço a colaboração de vocês também caso tenha algum assunto ou video interessante sobre Artes Marciais envie pra gente.


Email:

fabiotake@yahoo.com.br



Filosofias

"Assim como um vale vazio pode ecoar o som da voz, do mesmo modo a pessoa que segue o Caminho do Karatê-Dô deve esvaziar-se livrando-se de todo egoísmo e ambição. Tornar-se vazio interiormente, mas reto por fora. Este é o significado verdadeiro de vazio no Karatê-Dô."

Gichin Funakoshi

"O Kata de Karatê tem me ajudado muito em minha vida. É como O' Sensei Gishin Funakoshi dizia "Depois de praticar Kata no mínimo 1000 vezes que o praticante entenderá a sua essência e poderá apresentá-lo ao público". O Kata é como uma Enciclopédia do Karate onde estão todas as técnicas dos antigos mestres. Nele treina a auto defesa, disciplina, formação do caráter, meditação em movimento e principalmente CONCENTRAÇÃO E FOCO. Com vários anos de prática o praticante inconsientemente passará a aplicar em sua vida cotidiana. Hoje em dia meu poder de concentração, foco e perseverança aumentaram muito devido a prática do Kata. Que bom seria se todos praticassem também. Convido a todos a praticar também. OSS

Fabio Take

"O Karatê em si é uma forma chamada Kata que é utilizada como forma de apoio ao praticande de Artes Marciais. Depois de compreendido a essência o artista marcial livra se da forma ficando sem forma nenhuma, Sem Mente "Mushin" e parte para outro estágio que é a descoberta do seu próprio "eu". É como o escultor que no início utiliza de várias formas para depois formar o seu próprio atravéz de sua transcedência e é assim que o torna diferente e suas obras se tornam respeitáveis."

Fábio Take

"Se o problema tem solução, não esquente a cabeça, porque tem solução. Se o problema não tem solução, não esquente a cabeça, porque não tem solução"

Se você não luta com ninguém, estará livre de qualquer culpa. (Bruce Lee)

Siga os bons e aprenda com eles. Se não houver frutos, valeu a beleza das flores. Se não houver flores, valeu a sombra das folhas. Se não houver folhas valeu a intenção da semente.

Planos não substituem ações.

Podemos dar um barco a alguém, podemos colocar esse barco na água e ensinar esse alguém a remar. Mas para que a pessoa reme, é preciso que ela queira remar.

Por dentro cultivar o Chi e por fora moldar e fortalecer os músculos, tendões e ossos. (Gishin Funakoshi)

Para viver bem e por muito tempo, seja moderado. O que o homem inferior procura está nos outros. O que o homem superior procura está em si mesmo.

Autor desconhecido

Um mestre realmente bom jamais é doador da verdade e sim um guia, um apontador da verdade que o aluno terá de descobrir por si mesmo." (Bruce Lee)

"O essencial em uma luta, não é a perfeição em desferir golpes, mas sim, em sua capacidade de resistir ao ataque... ."

"Não há modo certo e modo errado em luta. O modo certo para um homem grande pode não ser o modo certo para um homem pequeno. O modo certo para alguém lento pode não ser o modo certo para alguém rápido. Cada pessoa precisa compreender seus pontos fracos e seus pontos fortes."

"Não sou daqueles que não acreditam em amor a primeira vista, mas acredito em dar uma segunda olhada."

"Não acredito em pura sorte. Você precisa criar sua sorte. Precisa estar atento ás oportunidades ao seu redor e tirar vantagem delas."

"Devemos ser verdadeiros e honestos: as indagações devem ser constantes e independentes, e não seguir cegamente um projeto feito por outros."

“O bom lutador de Kung Fu precisa ser simplificador.”

“Seja flexível como uma mola, mas embora não cedendo completamente”

“Um lutador não se aperfeiçoa pra lutar, luta pra se aperfeiçoar.”

“Antes de estudar arte, um soco para mim era apenas como um soco, um chute apenas como um chute. Depois que estudei a arte, um soco não era mais um soco, um chute não era mais um chute. Agora que compreendi a arte, um soco é apenas como um soco, um chute apenas como um chute.”

“Não há nada de especial nesta arte. Tome as coisas como elas são. Soque quando tiver de socar. Chute quando tiver de chutar.”

“Meus seguidores em Jeet Kune Do, atendem a isso: todas as normas fixas são incapazes de adaptabilidade ou flexibilidade; a verdade está fora de todas as normas fixas.”

“O homem, criatura viva e criador individual, é sempre mais importante do que qualquer estabelecido estilo ou sistema.”

“Se você acreditar que uma coisa é impossível, você a tornará impossível.”

"Seja como a água que abre caminho através das pedras: não se oponha ao obstáculo; contorne-o!”

Bruce Lee

Arapongas Artes Marciais On Line


Daily Calendar

Calorie Calculator